3 da madrugada/ quase nada

e a patética-poética deslumbração consentida que comerei apenas uma mulher o romance inteiro enquanto desengravato meu fracasso como libertino perdulado no apê da Clara (que inté deve ter aparecido nalgum capítulo ontheroadiano co Eduardo a dixavar esperanças & vistas pela janela).

Além da minha insônia crônica que cultuo de chapéu.

Clara cortou o cabelo a lá pin-up numa photo PB em anos semi-maliciosos e passa de calcinha safada mas hoje quero dormir e uma camiseta que o olho entre o papel e a imagem destoa perfurando a blusa dos mamilos roseados.

            Pianos dedilhados.

            Busca a água no filtro e a calcinha escorrega, desajeitada e lógica. Vira pra mim com aquele olhar-luar, dexa eu ler?, eu pego o isqueiro.

            Quando sair, Clara.

            Eu tô nele?, ela sorri cinema.

            Respondo Bogart: Eu nunca escreveria um livro (esboço cos dedos) sem: meus amigos rindo vagabundeando por aí, meus livros abertos com frases sublinhadas preu roubar e meninas bonitas acordando às 3 da manhã passeando de calcinha-veneno poralgum apê da metrópole desfigurada.

            Feliz. Ela me dá um beijo certeiro no lábio selado e volta pra cama. Suspirando imaginações. Bailando ca bunda blues. Frustrando noites.

            Volto praquela frase insistente em não dançar e desatino pra sacada filosofar saudades e esperar o dia nascer: desatento e levemente sem sentido.

Escrito por Leo às 19h08
[] [envie esta mensagem]



Oração de los tres amigos

Embriaguem-se

Charles Baudelaire, ou o Bô, pros íntimos

 

            É preciso estar sempre embriagado.

            Aí está: eis a única questão. Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso.

            Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se.

            E se, por ventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão: “É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso! Com vinho, poesia ou virtude, a escolher”.



Escrito por Leo às 19h05
[] [envie esta mensagem]



[ ver mensagens anteriores ]


Histórico
Ver mensagens anteriores

Votação
Dê uma nota para meu blog


Outros sites
Etcetera
Granta
Literatura Argentina Contemporânea
London Burning
Na TaBUA
Paralelos
patife.art
Portal Literal
Rizoma
Scream Yell
Trópico
Bestiário- Revista de Contos
Trama
Ubu Web
Zunai
Ademir Assunção
André Pagnossim
Augusto Sales
Bactéria
Bruna Beber
Cardoso
Cecilia Gianetti
Chacal
E-jazz
Claudio Daniel
Daniel Galera
Eliane
Contracampo - Cinema
Fabiano Calixto
Fabricio Carpinejar
FakerFakir
Fernanda D´Umbra
Ivana Arruda Leite
João Filho
Joca Reiners Terron
Laerte
Leonardo Vinhas
Edições K
Linaldo Guedes
Mara Coradello
Sara Fazib
marina andrade
Mário Bortolotto
Marcelino Freire
Nayra Lobo
Patrick Brock
Paulo Scott
Poesia Papangu
Ricardo Aleixo
Sérgio Mello
Simone Campos
ToRtUrAdOrAs
Wladimir Cazé
Tamara Costa
Xico Sá
mArCelo benvenuTTI
Criticaria
Cronopios