às ruas ferlinghetti de são paulo
sobressaltamos olhares retos uns nos outros
até aquele momento de euforia tola, a toa
toda mazela, maganha, ferida ardida sumia
uma palavra saltava sem querer
do trampolim sagrado de nossos lábios
a mesma, sempre
não necessariamente dita
na língua em que aprendemos a nos amar
dita em sobressaltos eufóricos
efusivos, furiosamente empolgados
desequilibrados, arritmia no coração de cada um
um por vez
esquecidos a cada esquina pela anterior
roubávamos de nossas lembranças lidas, ouvidas
a próxima frase delirante
e a depositávamos sem dó nem muito jeito
em algum lugar
entre o nascimento e a eternidade
Escrito por Coquette às 23h33
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