Cidade louca, rouca.

 

Lido Ginsberg, em versos longos,

intermitentes, venais,

inclino-me e fujo da razão

ouço as vozes das paredes

violência rasga o couro

queima a carne

seca o sangue

empoeira os ossos.

 

Rumino gazes lacerantes

instigo minha incivilidade

cavo trincheiras

entre mim e as calçadas cheias de gente

quente

pelo sol, o frigir das possas

o cozinhar das coisas

as facas que estouram

que fodam

as moças

as loucas

devassos braços dados

infartos,

cascos, capacetes, cacetes

polícia galopa,

arrota intolerância, entre lanças,

e vândalas ações, e razões

explosões das massas

e das canções

que entalam nos ouvidos

convulsões.

 

Que se faça algo

que me matem alto

e que me vejam

ao vivo

do helicóptero

e que num coice

o som aumente

e que tenham todos uma boa noite.

Escrito por Coquette às 20h48
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ouvindo blues, por favor.

noite

 

            Desapareci

            de mim do cursinho do trabalho da cidade dos amigos de letícia: numa profusão de confusões dilaceradas e angústias tripartidas entre o céu cinza-solidão e a desconfiança conjugada de queu sou uma farsa (literária-existencial-psíquica) divorciado de pensamentos e idéias e perdido na rodoviária desesperado prum olhar confidente crente que o sol noutro dia precisaria iluminar casas livros sexo. l´aventura juvenil sinstalou minha mochila e sentei núltima poltrona fechando os olhos ora sim ora talvez, pruma imagem que resgatasse sinceridades e amarelos.

            Voltei pra minha cidade sem avisar vivalma: útero desconfiado e desci pra biblioteca municipal donde conheci a mim além de vagar sozinho por ruas donde descobri dúvidas, passeei por estantes lúgubres & iluminadas esboçando sorrisos

(internando trevas)

e terminei o dia numa mesa de bar no centro da cidade finita, fim-de-tarde irreconciliável, com, quem sabe, lágrimas e futuros.

            Uma prostituta a rebolar na não-saia pediu-me um cigarro queu sem falar, só se tu fumar comigo, então tá, os dois fumando sem olhar, táfim?, não. (companhia necessária pruma noite sem ses)

            - Tu é daqui?

            - Fui.

            - Que que tu faz da vida?

            - Sei lá. Escrevo. Acho.

            - Legal, sorrindo dum jeito simples. Daqueles jeitos que só se vê às vezes sem tentar.

            Bundei uns tantos pela city: vergonha na cara e desbravamentos. É, talvez eu consiga.



Escrito por Leo às 17h06
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