Faço poema as coisas que vejo,
que sinto.
barro sim, o descaso
a faca solene que corta o tesão
em mim
nas coisas.
Represento em versos o que me atravessa
das flexas retóricas,
dos ventos sintéticos
me privo de excessos
inclusive de acertos
passeio rosado rumo à loucura
do playground ao abismo
correto?
Estanco em palavras galopantes
e em rimas delirantes
faço grito a minha leitura
defendo-me, em egoísmo soberbo
e em lirismo obeso
se, creio.
Assisto o passear das vozes dominicais
os sentidos são invertidos,
nunca reprimidos
repetidos.
Desfaço-me em beijos largos
prolongados
se penso, fode
se paro, é mole
enfim,
Beijos longos não se pode mentir.
Escrito por cOcO às 16h52
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gênesis
O estilismo poético-desencanado do Carlos surpreende em sua roupa florida, piteira e chapéu (Adolescência é assistir Medo e Delírio em Las Vegas chapado.), andando como se o chão estivesse pegando fogo: como se ele fosse sua própria pintura: textura de vermelhos e ambições, que faz com que o Eduardo, um lorde poetando frases pervertidas, cair de rir e sair pra comprar mais cervejas deixando pra trupe brigadeiros embriagados de you know e os pais da letícia terem ido viajar e esta lua que não desce pra tomar uma conosco e as aulas de redação do cursinho putas por nossas faltas de vírgulas, travessões, pudores e olhares por cima dos óculos de ´não me venha com essa´. Nossa festinha retrô eighties com direito a New Order e cabelos diferentes e cores berrantes: show de horrores endiabradamente sexta-feira, ainda mais quando, Carlos, estressado de publicidades perenes e vidas assépticas caiu na piscina como deus sentiu: nu e bêbado e abraçava a todos e beijava a menina quele tinha trazido do trabalho, lindamente extasiada com sua poesia pérfida. Lança-perfumes envolveram o ar e carreiras foram dissipadas sem aposentadoria enquanto Eduardo ministrava teorias sobre a babaquice juvenil e o paumolismo decadance & melancolismo blasé do mundo, libertando corpos pro consumo mútuo que letícia divertia-se com o tiatro e sentada no meu colo a perceber paus em fúria, piscava e rebolava e manipulava o tesão alheio dandum beijo longo e gostoso de namorada sem perceber que o Carlos já pulava em cima dela apregoando quele seria o maior pintor da paróquia tupiniquim-interplanetária.
........
A cozinha noutra manhã cheirava inda dia anterior e os raios de luz vindos naoseidonde atrapalhavam os bons-dias mal esboçados e alguma coisa que lembrava ser macarrão estava sendo feita pelo Eduardo a ouvir músicas clássicas e tosses vindas de quartos hereges vinham ao longe e o Carlos espantado com olhos esbugalhados de ´fiz merda´ sorriam tortos. Não precisou dar detalhes escatológicos quando chegamos no quarto dele e vimos um pedaço de papel sossegadamente no chão ao lado da menina que ninguém mais lembra o nome: era a bíblia da mãe da letícia nunca antes lida enfestada da porra do Carlos que ria diabolicamente no canto do quarto com nossa embasbacação e o Du, ao cair no chão de tanto rir, bocejou que se pudesse iria ao inferno com ele, o que achei de uma singeleza fraternal e a letícia, ao ver quera uma página do gênesis não pôde não gargalhar e metaforizar o poema-objeto do Carlos, que pensou seriamente em expô-lo em bienais e bares e eu não pude fazer nada a não ser abrir a janela e deixar o sol também dar a sua opinião.
Escrito por Leo às 21h26
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