vamu pára de graça e literarizar até os abraços em esquinas perdidas

porque todo livro deveria ter

 uma sessão 'on the road'

 

Pegamos o carro num dia ensolarado de algum dezembro perdido na memória.

 

“Libertação é o tema do seu livro de viagens por excelência, Serafim Ponte Grande, onde a crosta da formação burguesa e conformista é varrida pela utopia da viagem permanente e redentora, pela busca da plenitude através da mobilidade”.

Antonio Cândido, sobre Serafim Ponte Grande,

romance de O. de Andrade

 

            Night anday: eu nunca estive tão radiante quanto naquele videoclipe descendo a serra: os olhos de todos brilhando e a gente pensando sem falar como, porra, é bom ter 20 anos enquanto o verde da serra estampava aqueles sorrisos maliciosos everything is gonna be alright, ainda mais quando o Eduardo (eu dirigia insone a caravana do amor) lascou uma edição velhíssima do On the road do Kerouac do porta-luvas: condado mágico? e começou a ler alto: pra deus se tocar e ouvir. Sim, todos queríamos conhecer Dean Moriarty e a inconseqüência arco-íris da Clara (nossa amiga do cursinho/ futuro amor sexual de Carlos) dixavava a maconha plantada no apartamento à luz artificial, perto do macarrão. Por um momento eu senti o cheiro de pizza e lembrei milhões de anos atrás: eu moleque franzino (camisa do batman?) comendo pizza feita pela minha mãe ouvindo Milton Nascimento: verdesanos, mas eu não estava em busca do tempo perdido e o carro partiu sozinho como em filme pipoca-americano-adolescente torcendo pra polícia não conseguir sentir o cheiro do livro do velho Jack que embalava o porquê do nosso viver, a desenvoltura leve das risadas e a certeza nada certa que, talvez, as coisas realmente podem dar certo.

            Era como se quiséssemos agarrar o tempo, estuprá-lo, consumi-lo, devorá-lo: como se não pertencêssemos a ele, como se a única maneira de guiá-lo fosse grudando-o nas nossas peles com tanta força que poderíamos gritar mundo a fora adentro: sim, a vida vale!

            Alguém retornou à nação no som zumbi do carro e claro! seguimos (r)indo: já dava pra sentir o mormaço da praia.

 

 



Escrito por Leo às 01h17
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...e por falar em fins de semana produtivos...

Tão certo como chuva de verão, domingo teve Provocações na Cultura.

Com Glauco Mattoso, Mário Chamie e Cláudio Willer no domingo à noite, qualquer findisemana de masturbação e sonecas vespertinas torna-se perfeito.

Vamos sair

Hoje

Amanhã

Sempre

Nunca

Até que

A eternidade

Nos engula.

 



Escrito por cOcO às 12h18
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É ótimo conhecer pessoas. Este final de semana foi ducaralho em sampa! Pra começar: Godard (com o Dudu), Pasolini, Resnais e Jarmusch! Depois, finalmente conheci o Bactéria! (o sebo-blogue dele tá lincado aí do lado): cara muitíssimo gente boa, vende livros ótimos (comprei Speedball do Pepe Escobar que só de dar umas lambidas oculares dá pra saber que é excelente!), trampa com o Cemitério de Automóveis e ainda vai me arrumar o Abacaxi do mestre Reinaldo Moraes. Aliás, ele me falou que o Reinaldo tá escrevendo um romance: esperemos lendo poetas de São Paulo, como este, Álvaro Dias Cuba, que mora com nossa querida amiga Tábata na Liberdade. Comprei o livro dele, chamado ´doido´ e vou postar uma poema que gostei muito bêbado e ainda mais sóbrio:

LUXO

 

Falo do meu amor

Das veias, dos túneis

Da cidade de São Paulo.

 

Cidade viril

Mas que tem um bom gosto

Pelo luxo

E pelas cabeças de cebola

 

Quem quiser contatá-lo, o e-mail é: alvinhocuba@ig.com.br

 

A literatura tem que servir pra se conhecer pessoas.

 

..............e voltei de trem lendo trainspotting.

 

 

ps: putz, morreu o Arthur Miller: além de escrever peças como ´A morte do caixeiro viajante´ e ´Bruxas de Salém´, o cara tinha tempo de passar uns tempo no Chelsea Hotel escrevendo e ser marido da diva-pop Marilyn Monroe.



Escrito por Leo às 23h19
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