êxtases
Dançando popmente: cores/amores agitados pela adrenalina sintética do êxtase que engolidos foram com águas nada minerais, o que desvirtuou os olhos e despenteou os cabelos e fez trincarem os pés e o corpo se despedir das roupas, aos poucos, fabricada que foi, para ser tirada e naquele momento, pisoteada, amarfanhada sem dó porque era símbolo de repressão como tetos relógios pais: coisas, enfim, para se esquecer acompanhado por beijos na boca dela e do sol, já que eles estavam que só se esbaldando com a sensibilidade à flor da pele que a música batia e eu não tava nem aí pra
Porra. Beijava-os. Beijava-as. Sentia seres humanos habitando meu perímetro cósmico-sensual.
Água por todo o corpo, os pêlos dos braços saltando dançando sendo anfetaminados cada gesto teatro sublime certo.
Ela no carro psicodélico de asinhas de anjos e vidas passadas, ela cheirando bem, ela perfumando o ar desgastado pelo vento incomodante, ela sentada em mim que mordiscava seu peito, ela me possuindo, ela mordendo minha orelha, ela com seus peitos durinhos roçando no meu, ela se perdendo em mim: prazer mútuo perpetuado no suor, ela ficando nesse flash: fotografia sensorial.
(acho que ela se apaixonou por mim quando falei que conheci Borges faltando à aula de português porque queria ser escritor, lendo o Aleph, olhar perdido, disperso, no museu da cidade dantes da metrópole parque industrial, brilhando incerto, desejoso por amanhãs: aquela linda sensação de que o presente não é suficiente sendo)
Na janela, o enquadramento torto assumia a galera dançando e partilhando de outros verbos e foi aí que prometi escrever um livro prela quela emendou rindo que de tão canalha egocêntrico eu colocaria uma epígrafe como: “a mulher que eu estiver amando no momento” queu retribui com beijos clitorianos.
Conheci
o amor
o êxtase
o sexo
viramos na esquina do fim do mundo
e não estávamos nem aí.

Escrito por Leo às 13h29
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