Uma homenagem a nós três, Léo, Coco, Cell...poema saudoso, fogoso, atômico, inspirado em Ginsberg...Jundiayork treme pelas janelas que olhamos juntos...always like a rolling stone...Há braços...

Cântico proibido

 

Entoado por vozes insones

Acenando para a manhã

Dopados de álcool e sonhos

De auroras semelhantes.

Semeávamos encostos

Nas paredes onduladas

Tortas, traiçoeiras.

Riamos uns dos outros,

Para todos.

Éramos desconhecidos

Conhecedores de rock & Jazz

E ácido ópticos,

E etílicos anestésicos,

Cidades narcóticas.

Criávamos e crivávamo-nos com fogo

Badernávamos em sofás quilométricos

Pernas e braços e há braços

Amigos conhecidos

Conhecedores

Uns dos outros,

De todos

Do Jazz, ao Soho

Amigos da escuridão

Da solidão aglomerada

Em quartos cubilescos

Em banheiros burlescos

Em beijos pares

E em próprios afrescos

Éramos tudo sexo

E sexo a tudo

Ondulávamo-nos em colchões e carpetes

Copulávamos entre poeira e ácaros

Tomando heroína pelos ouvidos

Levando à memória

E aos cadernos.



Escrito por cOcO às 23h28
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num café o mundo

 

Belo e trágico (como uma esfinge diabolicamente angelical dalguma menina morena que-vem-e-que-passa) estávamos, assim, ao ar, perdidos, feridos até de angústias existenciais de discussões nada infundadas que travamos esperando palavras-melodias um do outro ou ombros redondos que abrasassem nossas dúvidas: se nossas famílias tinham fugido, ou melhor, se nós, infantes terríveis, tínhamos nos transfigurado em personagens: a melhor coisa era apoiarmos uns nos outros (o que era nada pouco) em silêncios revisitados entre uma partitura e outra do sorrir.

            Os quatro em posição sardônica, de buda com a bunda pra lua, perdidos e cafeínados sem pudor numa sala da casa do Eduardo no começo do século (com naturezas-mortas influenciando a nossa luz própria imantada de ilusão cinematográphica) injetados pela realidade que insistia em ferir sonhos (ah! por vezes amarelos!), costas encostando-se em sofás velhos ou em cabelos ondulados: o que era importante era saber que o outro estava ali, pensando as mesmas coisas que você, vivenciando a vida partilhada, mesmo ao nada, no entanto, com um vazio que junto, mesmo não sendo cheio, era tudo: espírito juvenil tão pôr-do-sol que mereceria ser filme de Truffaut ou de qualquer outro que olhava para a rua com óculos, de grau ou não.

            A janela já flertava com a lua, que pelo episódio, não era cheia, mas sorria se você virasse o rosto ou pensasse em coisas infantis: opiniões extremas, buscas por perguntas ou reflexões sobre o amor foram logo devolvidos aos livros e aos copos e o silêncio, que nunca fora constrangedor, graças a deus ou a qualquer outro ser que escreva as próprias linhas, esvanecera e a simpatia das sombras fez com que os quatro cantassem sem cerimônia solitudes doutros tempos de outros jovens que fugiram algumas vezes lá debaixo para poder refletir sem falar; e concordar sozinhos que a panacéia embandeijada a nós não poderia ser aceita e sim, refeita, cada um com seu pé ou fé, até que as vidas se revirassem e válidas se tornassem, não para eles, mas para nós, os quatro que ali arquitetavam batalhas e mesmo se perdidas: sempre tentadas: sempre compartilhadas.

            Sempre amadas.



Escrito por Leo às 18h12
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mais das angústias recentemente preteritadas

Sobrevôo olhares rasos e me abrigo no seu tato. Sento, quieto, num choro devasso; pau rijo de tesão casto; mal contado. Rego te rêgo de memórias, histórias que só a nós dizem respeito. Canto seu sexo e preencho o meu quarto, lúgubre e aflito, de sons e suspiros...

Deitado, avaliando um próximo fraseado, sobre os blocos recalcados do meu quarto. Penso num bem-bolado com meus gratos e afetados amigados, numa sampa recortada por buracos, alívios e viados, tumultos e achados. Respiro aliviado por ter feito o errado, semeando assim, o meu infinito e apurado calvário, rumo à solidão nos fatos...



Escrito por cOcO às 21h12
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Coragem

 

É uma insanidade boa,

Que arde à minha boca

De mordida postiça,

Arte omitida, fala ferida,

Flerte venal.

 

Sério e seco,

De fins no começo

Falo e tremo

Relegando ao efêmero

Num delírio abismal.

 

Diz-se saído da derme.

Desponta em espirro e febre.

Um breve arroto mambembe

Lateja e fere num breve

Teso estomacal.



Escrito por cOcO às 20h43
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