porque a literatura é o essencial ou é nada eu dedico este texto aos meus amigos

road movie

No nosso road movie de sexta-feira sodomizado pela lua minguante debaixo de cabeças andantes: extasiante nada estanque estava nosso carro de tia rica enquanto deixávamos a terra da garoa sem garotas pra adentrar o pensamento paradisíaco que possa ter alguma praia perdida nesse paísão (la bourgeoisie paulistaná me enche o sacô com seus boys and girls thinkando que tão em newyork ou london), nossa simpatia pelo diabo foi adentrando os lapsos de rastros da maria joana que invadia nossos pensamentos, beatizando tudo: beatificando o mundo! Então, o quarteto fantástico - el narrador, Carlos, Eduardo e letícia deixavam as pedras rolarem quase quietos com o estrondo visual que o fim da cidade nos incorparara, fechamos os olhos pra não sermos sucumbidos pelas feiúras paulistanas as quais fugíamos, e ficávamos (senão) a lembrar de bairros e ruas e cinemas e tiatros que amávamos, precisávamos daqueles dias longe da pólis maquiada com cartazes de políticos finitos. Somos (sol)itários. Somos sóis reluzindo tesão pela estrada: que ela nos venha e nos coma e nos foda e nos seja e faça com que em transe a desejemos e possamos alguns dias, com ela ainda queimando, sonhar com a pintura dos nossos olhos refletidos uns nos outros.
Ah! Adorável frivolidade dos moribundos!





Escrito por Leo às 19h27
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trecho do tanto faz que li ao acaso e me animou a sair por aí bundando pelo mundo

Romance sempre há de pintar po aí. O voyeur é um cineasta de ficção ou um documentário? Se a gente lesse com mais atenção literatura de parachoque de caminhão evitaria muita desilusão na vida. Acordo em Barcelona com a nudez rija de Elisa ao meu lado. Ela me beija a fundo perdido. Invoco o espírito de Garcia Lorca e arrisco uns versinhos de improviso:
- Tus sueños por la cena, tus besos por desayuno.
Minha espanholinha catalarnaquista, acolhe minha cabeça entre seus peitos e me aclama:
- Para mi felicidad es muy mejor amante que poeta, Ricardito.
Donde se conclui que outros entreveros tivemos, bem melhores que o primeiro, na sacada enluarada. Antes que o movimento do trem fizesse Elisa encolher e sumir na plataforma, ainda tive tempo de gritar:
- E a vida, Elisa?
- Vale! - me respondeu, com um aceno largo e um sorriso escancarado e os olhos boiando em lágrimas.


Escrito por Leo às 19h24
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Deixem o homem em paz...

Sai a biografia de Bob Dylan. Detesto biografias, mas pelo teor anti-hipi-sujo, deve ser um leitura engraçada. Tipo, e daí a música, a poesia, o flerte beat? O importante é odiar os hippies. hehehe...Seguem alguns trechos tirados da Folha.

Há Braços.

O ícone mundial admite ainda que vivia escondido em casa, apostando sua proteção em uma escopeta, por medo de hippies fanáticos. Dylan odiava os hippies: "Queria colocar fogo nestes tipos", afirma, lembrando como fãs subiram no teto de sua casa em Woodstock para tentar entrar.

O mundo era absurdo... eu tinha poucas coisas em comum com uma geração que não conhecia e da qual se supunha que era um dos porta-vozes"

"Sonhava com uma vida normal, trabalhar de 9h às 17h, ter uma casa com árvores, uma cerca de madeira pintada de branco e rosas no jardim"(viu?)

ele se sentia como um manequim em uma vitrine, enquanto do lado de fora passavam os anos 60. "Me sentia como um pedaço de carne atirado aos cães", lembra, culpando a imprensa por colocá-lo no papel de "porta-voz e até da consciência de uma geração".

 


 



Escrito por cOcO às 10h30
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