Mais literatura porque ninguém é de ferro e estou com saudade dos meus amigos
Flanei pela cidade como um louco trôpego a esperar a hora de ira pra casa do Carlos que eu nem sei se não era mesmo o Eduardo já que essas personalidades personagísticas se fundem e fodem a cada capítulo, para desfrutar um belo, porém brasileiro, portanto não-original, absinto 54%, com torrão de açúcar e toda ritualística parisiense num quarto decorado com quadros que ele mesmo pintara, fazendo sua mistura inusitada e criativa e deliciante de pop warholiano com expressionismo abstrato bêbado pollockense, apenas imaginando como era que o Rimbaud ou o Picassô ou o Coucteau desfrutavam da fadinha verde alucinógena e naquele barco bêbado não apenas víamos cores nas vogais e as consoantes transformando-se em grandes monstros opressores gramaticais de gabinete de universidade: portanto flanava na rua suja walking on the wild side esperando a loucura de mais uma bebedeira regada não apenas àquele caro e chato absinto 54% mas a poemas baudelairianos transformando-se pelos vãos dos livros lindos livres lidos em flores do mal do bem do zen do além, não, ninguém suspeitava que eu iria entrar em transe carnavalesco-porralouquístico em poucos momentos e meus olhos verdes esverdeavam o cinza da noite entre postes moles e gentes bravas indo pra casa dormir pra poder curtir melhor o sábado: este livro foi escrito em sábados, escreverei isso na contracapa, desfrutei desses pensamentos quase deliritórios demeritórios quando em frente da casa de Eduardô Carlô já me esperava cantando cartolamente com uma alegria ímpar e depois que entravamos na taverna rambolesca de meu amigo não lembro de mais nada.
Escrito por Leo às 16h12
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